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Habitat dos macacos-guaribas está protegido

Data: 
quinta-feira, 18 Maio 2017 - 15h00
Português, Brasil

FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO

Estão proibidas atividades que causem degradação ambiental na Mata do Sacramento, em Água Preta

Por: Priscilla Costa

A espécie é classificada como vulnerável na lista das ameaçadas
A espécie é classificada como vulnerável na lista das ameaçadasFoto: ufrpe/Cortesia

Em Pernambuco, o único remanescente de Mata Atlântica que serve de refúgio para os últimos indivíduos dos macacos-guaribas-de-mão-ruivas (Alouatta belzebul), a Mata do Sacramento, no município de Água Preta (Zona da Mata Sul), passou a ser protegida por lei. Na prática, estão proibidas toda e qualquer atividade que cause degradação ambiental, como desmatamento ou extração ilegal de madeira, em uma área equivalente a 500 campos de futebol (512,83 hectares). 

Essa medida, que virou realidade após a assinatura do decreto 44.444/17 pelo governador Paulo Câmara, é um dos resultados de um plano de ação emergencial para a proteção desses primatas. O documento foi elaborado por um Grupo de Trabalho (GT), criado após reuniões com o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). Também conhecido como macaco capelão ou macaco barbado, no fragmento florestal restam apenas 14 primatas. A situação se torna ainda mais preocupante, à medida que os guaribas são classificados como vulneráveis na lista de espécies ameaçadas de extinção. 

O decreto estabelece um período de sete meses para a proteção desse trecho de mata, que é uma propriedade privada. Paralelamente, levantamentos técnicos e científicos sobre o primata e a floresta serão feitos pela UFRPE, uma das instituições que compõem o GT. São esses dados que ajudarão no processo de criação de uma Unidade de Conservação. "E é também nesse período que os proprietários do terreno poderão demonstrar interesse em dar início ao processo de criação de uma unidade de conservação junto à CPRH. Encerrado esse tempo (de sete meses), o órgão estadual poderá intervir legalmente", explicou a professora da UFRPE, Adélia Oliveira, que contribuiu na elaboração do decreto. 

Quando se trata de uma área privada, sugere o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) cabe como a categoria mais apropriada de UC. Esse tipo têm o objetivo de conservar a diversidade biológica de uma determinada região. Ontem, uma reunião com a Companhia de Polícia de Meio Ambiente (Cipoma) foi realizada a fim de planejar e reforçar as ações de fiscalização e de monitoramento da área estabelecida pelo decreto. "É lá que vivem os últimos indivíduos e fazer essa articulação conjunta com o apoio da academia, gestão do município, Cipoma e Ibama é primordial. Proteger é garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo", ressalta. Recentemente, 15 assentamentos rurais de Água Preta aprenderam sobre manejo de fogo, com apoio do Ibama e prefeitura municipal.

Comportamento

A necessidade de criar o plano de ação emergencial veio após Adélia Oliveira ter sido uma das pesquisadoras a alertar sobre o nível de vulnerabilidade dos macacos. Durante os trabalhos em campo, constatou-se que a pressão do desmatamento havia alterado o comportamento dos mamíferos. O som característico emitido por eles para a proteção do território estaria deixando de ser emitido. Ela, que é do Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal da UFRPE, estuda a Mata do Sacramento desde 1988. Segundo a UFRPE, grupo assessor que acompanha o Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação dos Primatas do Nordeste, a taxa de vocalização desses animais, se comparada a de outras localidades, não chega a 1%. 

LINK: http://www.folhape.com.br/noticias/noticias/cotidiano/2017/05/18/NWS,279...