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Livro aponta 129 espécies de répteis em risco

Data: 
quarta-feira, 24 Maio 2017 - 9h45
Português, Brasil

FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO

Estudo para o livro vermelho no Estado concluiu os espécimes que estão ameaçados e o grau de perigo de cada um deles

Por: Priscilla Costa

Algumas espécies de cobras estão entre as ameaçadas
Algumas espécies de cobras estão entre as ameaçadasFoto: Arquivo Folha

O livro vermelho de espécies ameaçadas de extinção em Pernambuco, em fase de elaboração pela gestão estadual junto a pesquisadores da UFRPE, concluiu a pesquisa relacionada aos répteis, indicando o grau de ameaça sofrido por 129 espécies. A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), por exemplo, está classificada como "Criticamente em Perigo" (CR). Uma espécie de cobra-de-duas-cabeças, a Amphisbaena supernumeraria, integra a lista das que estão "Em Perigo" (EN). 

O estudo levou em consideração critérios como distribuição geográfica e redução da população ao longo dos anos para chegar à categoria de risco de cada grupo. O material foi encaminhado para validação com o uso da metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza para, então, ser publicado, ontem, no Diário Oficial do Estado. 

Na avaliação do coordenador científico desta etapa do projeto, o professor doutor da UFRPE Geraldo Moura, o documento contribui como uma importante ferramenta para a elaboração de políticas públicas, como restauração de habitats, criação de unidades de conservação e aumento da população por meio de manejo para garantir a sobrevivência de algumas espécies de forma que garanta a sua sobrevivência a longo prazo. "Além de servir como norte para ações de preservação. Se numa determinada área, por exemplo, ocorre uma espécie ameaçada, essa característica servirá de motivo para incluí-la nos estudos de impacto ambiental", contextualiza.

Das 129 espécies identificadas, oito são anfisbênia (nome genérico de répteis escamados popularmente chamados de cobra-cega ou cobra-de-duas-cabeças), nove de quelônios (caracterizados pela presença de uma carapaça, como cágados, tartarugas e jabutis), duas de crocodiliano (répteis de grande porte, como crocodilos e jacarés) e 42 de lagartos, sendo o de serpentes o grupo que mais apresentou uma maior diversidade de espécies, com 68. Caberá à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), entre outras medidas, proibir a captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo e comercialização. Essas restrições, entretanto, não cabem à captura acidental, desde que os animais sejam devolvidos à natureza imediatamente. A exceção também vale para fins de pesquisa e animais criados em cativeiro, sob a autorização da CPRH. 

Penalidade
O valor das multas, com relação à apreensão de indivíduos da espécie classificada como ameaçada, será dez vezes maior, o que significa um agravante para o infrator. Estudos ambientais que identificarem algumas espécies ameaçadas serão analisados com mais restrições, com o grau de exigência que a particularidade requer. A CPRH também pretende identificar locais onde há indivíduos da espécie ameaçada e transformar em áreas prioritárias para conservação. 

Atualização
Poderão ser realizadas atualizações específicas na lista, no mínimo a cada cinco anos, a partir de conhecimentos científicos gerados a partir de monitoramentos. “São essas descobertas que elucidarão se determinada espécie deve continuar ou não na lista de ameaçadas, se deve ser recategorizada para um nível mais delicado de extinção, saindo de ‘vulnerável’ para ‘em perigo’, por exemplo”, explica o professor Wallace Telino, que coordenará o estudo sobre aves - próximo grupo a ser estudado. O livro vermelho identificará outros táxons ameaçados. São eles: peixes, mamíferos, cnidários (animais aquáticos), moluscos, planta e equinodermata (estrela do mar, ouriços, etc).

LINK: http://www.folhape.com.br/noticias/noticias/cotidiano/2017/05/17/NWS,277...