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Mortandade de fauna está sob investigação em Maracaípe

Data: 
sexta-feira, 24 Março 2017 - 10h30
Português, Brasil

FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO

Promotora recebeu denúncias de pesca ilegal por bombas caseiras em Ipojuca. Análise laboratorial deverá apontar a causa

Por: Priscilla Costa 

Cavalo marinho
Cavalo marinhoFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A responsabilidade pela mortandade em massa de animais no estuário do rio Maracaípe, em Ipojuca (Litoral Sul de Pernambuco), será investigada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Na quinta-feira (23), era possível ver várias espécies boiando próximo ao manguezal. 

Sargento (Abudefduf saxatilis), frade ou paru (Pomacanthus paru), gato (Ictalurus melas) e camurim (Centropomus undecimalis) foram algumas da espécies de peixe afetadas. Nem os cavalos-marinhos (Hippocampus), forte atração turística durante os passeios de jangadas no rio, escaparam da má-fé alheia. 

Em ação conjunta, amostras de água foram coletadas por fiscais da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e Secretaria de Meio Ambiente do município. O laudo técnico deverá sair em até cinco dias e será encaminhado à Promotoria de Meio Ambiente de Ipojuca.

À frente das investigações, a promotora Bianca Stella Barroso explicou que a análise laboratorial deverá apontar a causa, o que servirá de prova para a abertura de uma investigação. Embora não tenha provas, denúncias de que há pesca ilegal por meio de bombas caseiras chegaram ao conhecimento da promotora. "Não é de hoje que denúncias como essas chegam à Promotoria. A Cipoma, inclusive, chegou a fazer rondas de madrugada para tentar flagrar, mas não conseguiu. A qualidade da água também poderá identificar se há despejo de esgoto. Não descartaremos nenhuma possibilidade", afirma Bianca Stella.

Folha de Pernambuco encaminhou registros fotográficos para pesquisadores no assunto. Embora não descarte o lançamento de dejetos no rio, o especialista em piscicultura marinha e engenheiro de pesca pela UFRPE, Willy Pessoa, acredita que o aspecto em que os animais foram encontrados reforça a possibilidade de que os óbitos foram mesmo provocados por pesca com bombas caseiras. 

"Os animais não morreram com a boca aberta, ou seja, isso é um indicativo que o nível de oxigênio na água está bom. É perceptível também a ausência de pigmentação nos animais e em outros a cor está bem clara. Isso significa que eles foram expostos a algum estresse e bomba causa impacto, logo, afeta o emocional", explica. "Agora, se for algum poluente, é preciso ter uma investigação cautelosa das fontes poluidoras próximas ao rio. Porque o Paru, por exemplo, é uma espécie frágil e sobrevive em águas de boa qualidade. Qualquer poluente causa uma mudança brusca e compromete, principalmente, espécies assim", complementa o engenheiro de pesca também pela UFRPE Osman Crespo.

Outras possibilidades
A resposta, aponta Pessoa, pode estar também no sangue dos animais. "A CPRH e a gestão municipal não tem que se limitar apenas à coleta da água, pois a saúde do rio pode estar boa. É preciso também que haja uma investigação do sangue desses peixes para identificar o nível de cortisol (hormônio do estresse) e o lactato (que revela o esforço físico desses animais). Infelizmente, o uso de bombas para pesca predatória é muito comum em braços de rio e áreas estuarinas, como é o caso do rio Maracaípe", lamenta Pessoa, chamando a atenção de que a omissão de casos como esse ocorre porque a legislação é frágil e falta vontade política para investir em ações fiscalizatórias. Sobre essa avaliação, a CPRH informou "estar aberta a qualquer ajuda, embora não possa especular sem ter elementos. Porém, a Agência vai, sim, acatar a recomendação dos especialistas". 

http://www.folhape.com.br/noticias/noticias/cotidiano/2017/03/24/NWS,221...