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MPPE inclui vídeo de pescador na apuração de morte de peixes no Rio Maracaípe

Data: 
segunda-feira, 27 Março 2017 - 14h15
Português, Brasil

FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO

Conforme antecipado pela Folha de Pernambuco, amostras de água foram coletadas por fiscais da CPRH e Secretaria de Meio Ambiente do município; laudo sai na quarta (29)

Por: Priscilla Costa

Estuário do Rio Maracaípe
Estuário do Rio MaracaípeFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) incluirá um vídeo que tem tido grande repercussão nas redes sociais nas investigações sobre a mortandade em massa de peixes, inclusive de cavalos-marinhos, no estuário do rio Maracaípe, em Ipojuca (Litoral Sul)

O registro, feito por um pescador e divulgado na sua página no Facebook, é do percurso de um líquido que ele diz ser esgoto, liberado pelas tubulações próximas ao Hotel Armação, na PE-09. O vídeo já atinge quase cinco mil visualizações. Na filmagem, o rapaz denuncia que o descaso já ocorre há alguns anos e os efluentes são jogados in natura no córrego, caindo diretamente na bacia do rio Merepe, que deságua no estuário do rio Maracaípe. Veja o vídeo: 

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) também tomou conhecimento do vídeo e disse que irá "avaliar se os efluentes são direcionados ou não para o rio Maracaípe". 

"Qualquer colaboração é válida. Não vamos descartar essa possibilidade, pois qualquer prova que venha a contribuir com as investigações, consideraremos. Vamos investigar detalhadamente a procedência desse vídeo e analisar se tem algo a ver com a mortandade no rio Maracaípe", afirmou a promotora de Meio Ambiente de Ipojuca, Bianca Stella Barroso, à frente do caso. 

Conforme antecipado pela Folha de Pernambuco, amostras de água foram coletadas, em uma ação conjunta, por fiscais da CPRH e Secretaria de Meio Ambiente do município. O laudo laboratorial deverá sair na próxima quarta-feira (29). A depender do resultado - caso a morte tenha sido provocada por alguma fonte poluidora - , o empreendedor estará sujeito a multa, podendo perder a licença de operação. Para isso, uma equipe da CPRH está em campo, reforçando a fiscalização, tentando identificar o responsável.

Sargento (Abudefduf saxatilis), frade ou paru (Pomacanthus paru), gato (Ictalurus melas) e camurim (Centropomus undecimalis) foram algumas da espécies de peixe afetadas. Nem cavalos-marinhos (Hippocampus), forte atração turística durante os passeios de jangadas, escaparam da má-fé alheia. 

Embora não descarte o lançamento de dejetos no rio, especialistas em aquicultura marinha apontam como a possibilidade mais plausível para explicar a morte a pesca com bombas caseiras - algo comum em braços de rio e áreas de estuário, como é o caso do rio Maracaípe. "Os animais não morreram com a boca aberta, ou seja, isso é um indicativo que o nível de oxigênio na água está bom. É perceptível também a ausência de pigmentação nos animais e em outros a cor está bem clara. Isso significa que eles foram expostos a algum estresse e bomba causa impacto", observa o engenheiro de pesca pela UFRPE, Willy Pessoa. 

A resposta, segundo ele, pode não estar apenas na água, como também no sangue desses animais. "Por meio do sangue é possível identificar o nível de cortisol (hormônio do estresse) e o lactato (que revela o esforço físico dos peixes)". 

Resposta
Procurada, a diretoria do Grupo Armação, responsável pelo hotel apontado no vídeo, explicou em nota que "a tubulação é de águas pluviais, onde é possível jogar água tratada. Fomos na área e conferimos que a água que sai das tubulações é transparente, sem resíduos e sem cheiro de esgoto. No vídeo, a água empoçada parece suja, porém ela está no meio de terra e mato, e daí a sua cor escura. O hotel Armação possui uma estação de tratamento de esgoto (ETE), o que torna a água do nosso esgoto limpa, podendo assim ser devolvida ao meio ambiente e lançada em rios, lagos ou mar", conclui.