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Pesquisadores da UFPE mapeiam espécies de répteis em PE

Data: 
quarta-feira, 29 Março 2017 - 9h45
Português, Brasil

FONTE: FOLHA PE

Levantamento para o livro de espécies ameaçadas é passo importante para a análise do grau de risco por espécime

Por: Priscilla Costa 

O Frostius pernambucensis, espécie de sapo, está entre os animais quantificados
O Frostius pernambucensis, espécie de sapo, está entre os animais quantificadosFoto: Ufrpe/divulgação

 

O livro vermelho de espécies ameaçadas de extinção em Pernambuco deu um passo mais importante. Em processo de elaboração, pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) mapearam, no último ano, o quantitativo de répteis que tem ocorrência no Estado. Essa etapa corresponde ao primeiro passo que dará prosseguimento à análise do grau de ameaça sofrido por indivíduo. 

Esse estudo, considerado complexo, focará em critérios como distribuição geográfica e redução da população ao longo dos anos para se chegar à categoria de risco de cada grupo - criticamente em perigo, em perigo ou vulnerável, por exemplo. O documento está sendo elaborado por meio da gestão estadual junto a estudiosos da universidade. Após essa etapa, o material será encaminhado para validação com o uso da metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza para, então, ser publicado no Diário Oficial do Estado.

Ao todo, o levantamento identificou oito espécies de anfisbênia (nome genérico de répteis escamados popularmente chamados de cobra-cega ou cobra-de-duas-cabeças), nove de quelônios (caracterizados pela presença de uma carapaça, como cágados, tartarugas e jabutis), duas de crocodiliano (répteis de grande porte, como crocodilos e jacarés) e 42 de lagartos, sendo o de serpentes o grupo que mais apresentou uma maior diversidade de espécies, com 68. “O estudo que definirá o grau de ameaça para indivíduos de cada espécie será confeccionado durante um ciclo de oficinas na própria universidade. Essa parte é a mais complexa porque analisamos caso a caso”, explica o coordenador científico do projeto, professor doutor Geraldo Moura, da UFRPE.

O documento, destaca Moura, é uma importante ferramenta para a elaboração de políticas públicas de preservação da fauna, servindo como norte para ações de preservação e diagnosticando os riscos que as espécies, endêmicas ou não, correm no Estado. “Se numa determinada área ocorre uma espécie ameaçada, essa característica servirá de motivo para incluí-la nos estudos de impacto ambiental.”
Até o momento, somente a pesquisa relacionada aos anfíbios está pronta e serve de alerta. No Estado, são 88 espécies distribuídas, sendo 11 ameaçadas de desaparecer do Estado. Entre os níveis de extinção, pode-se destacar duas consideradas criticamente em perigo, sete estão em perigo e três são vulneráveis. Em Pernambuco, apenas duas espécies de anfíbios são consideradas endêmicas - que só ocorrem na região: o sapo grilo (Elachistocleis cesarii) e o sapinho (Frostius pernambucensis), sendo esta última enquadrada nas espécies em situação de vulnerabilidade. Encontrada na mata do Parque Estadual Dois Irmãos, essa espécie tem seu ciclo de vida associado a bromélias.

Táxons
Quando a etapa sobre os répteis for concluída, o próximo táxon (unidade de classificação biológica a um ser vivo) a ser estudado serão as aves. O livro vermelho identificará outros táxons ameaçados. São eles: peixes, mamíferos, cnidários (animais aquáticos), moluscos, planta e equinodermata (estrela do mar, ouriços, etc).