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Plano para salvar aves migratórias

Data: 
sábado, 30 Julho 2016 - 15h30
Português, Brasil

FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO

Documento limita as áreas importantes para concentração, rota, pouso, descanso, alimentação e reprodução das espécies

Estratégias prioritárias de conservação para cinco espécies de aves migratórias criticamente ameaçadas de extinção foram listadas no Plano de Ação Nacional (PAN) de Conservação de Aves Migratórias, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Das cinco, três ocorrem no litoral pernambucano: o maçarico-de-costas-bran­cas (Limnodromus griseus), maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla) e a batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia). O documento, atualizado a cada cinco anos, delimita as áreas consideradas importantes para concentração, rota, pouso, descanso, alimentação e reprodução de aves migratórias que vêm do Ártico ao Brasil. No mundo, ao menos 197 espécies apresentam algum padrão de deslocamento considerado migratório. Desse total, 104 se reproduzem no Brasil, segundo dados do ICMBio.

Caberá ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), órgão vinculado ao ICMBio, assegurar a proteção efetiva dos habitats críticos para essas aves até dezembro de 2018. Prevenir e reduzir os impactos resultantes de atividades de exploração de recursos naturais, diminuir as alterações de habitat e impactos provocados pelo turismo desordenado, reduzir a caça e coleta de ovos, além de diminuir o impacto de animais domésticos nas áreas de ocorrência das aves e desenvolver pesquisas que subsidiem a conservação delas estão entre as estratégias impostas no documento. “O problema maior é o conflito de interesses. O turismo, por exemplo, é um dos grandes impactos a essas aves, mas nem sempre há um apoio eficaz das gestões nessa questão. Não é simples chegar a um acordo comum para garantir o bem-estar desses animais”, reconhece a coordenadora do Cemave, Priscilla Amaral.

Conforme já mostrado pela Folha de Pernambuco, um dos principais pontos no Estado de parada das aves migratórias, seriamente ameaçado pela interferência humana, é a Ilha da Coroa do Avião, banco de areia situado ao Sul de Itamaracá, no Litoral Norte. Lá, as lanchas ancoram, muitas delas com o som alto. Um aeródromo na região contribui para o aumento do fluxo de sobrevoos sobre a ilhota, perturbando o sossego das aves. Até ultraleves pousam no banco de areia.

Um dos pesquisadores da UFRPE responsáveis pelo monitoramento dessas aves na Coroa do Avião, Wallace Telino Jr, denunciou que das três espécies citadas no PAN como prioritárias, a única que apresentou uma maior população, no último monitoramento, foi o maçarico-rasteirinho. Segundo ele, essa redução indica que a região não está em equilíbrio ecológico, já que uma das principais características dessas aves é que elas são fiéis aos lugares que repousam. “Logo, se há uma diminuição delas, algo não está bem. Essas espécies são muito sensíveis à perturbação humana”, salientou ele, que integra o grupo assessor do PAN de Aves Migratórias.

Folha resume
Um plano nacional para preservar aves migratórias ameaçadas de extinção dará apoio a três espécies presentes no litoral pernambucano: o maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus), maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla) e a batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia).