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Precisamos ter memória (II)

Data: 
sábado, 28 Maio 2016 - 11h30
Português, Brasil
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Luciana Grassano Melo

Professora de Direito da UFPE

 

O primeiro dos grandes programas governamentais recentemente criados para fortalecer as universidades públicas no país foi o REUNI - Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Públicas, e foi implementado na UFPE a partir de 2008, sob a responsabilidade da competente pro reitora acadêmica, professora Ana Cabral.
O REUNI visava a criação de novos cursos de graduação e a expansão do número de estudantes universitários, através da oferta de novas vagas públicas de ingresso. Recordo-me que, no âmbito deste programa governamental, aumentamos em 30% (trinta por cento) o número anual de vagas públicas de ingresso oferecidas pela Faculdade de Direito do Recife.
Em contrapartida à expansão, o programa disponibilizava a criação de novos cargos de professores e técnicos-administrativos, o que promoveu uma verdadeira revolução nos quadros de pessoal da Universidade, acostumada a contratos precários, temporários e terceirizados.
O REUNI também foi responsável pela destinação de maciças verbas utilizadas na infraestrutura dos campi universitários, com a construção de novos prédios e a melhoria dos já existentes, além de recursos para equipamentos e mobiliários. Ainda no âmbito desse programa, foram desenvolvidas as importantes ações de interiorização da universidade pública no país.
No estado de Pernambuco, a UFPE estendeu-se para Vitória de Santo Antão e Caruaru, abrindo novos cursos e novos campi universitários. A Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE chegou a Garanhuns e a Serra Talhada, tudo em um esforço hercúleo de oferecer educação pública superior gratuita e de qualidade para quem mais precisa, sem ter que deslocar essas pessoas do lugar onde vivem e promover crescimento econômico e social, também, para o interior do Estado. A Univasf - Universidade do Vale de São Francisco foi também fortalecida, no âmbito do programa de interiorização das universidades públicas implementado em nosso país.
A partir do ano de 2013, decidimos no Conselho Universitário da UFPE, a implementação das quotas com vistas a promover uma maior inclusão social, e em 2015 completamos a implementação desse projeto que, hoje, destina 50% (cinquenta por cento) das vagas públicas em nossa universidade para alunos comprovadamente carentes e egressos de escolas públicas. A implementação das quotas sociais veio acompanhada do Plano Nacional de Assistência Estudantil - PNAES, que disponibiliza auxílios e bolsas para garantir que os alunos mais carentes possam permanecer na universidade.
Não podemos esquecer da importante ação que implementou a mobilidade estudantil em nossas universidades, tanto dentro quanto fora do Brasil, através do programa Ciência sem Fronteiras que ofereceu a oportunidade a milhares de alunos de graduação de viverem e estudarem em países mais desenvolvidos e em centros acadêmicos mais avançados.
Tudo isso foi construído com muito esforço. E é um grande orgulho para mim ter participado ativamente desse processo. E é por todos esses avanços e direitos sociais conquistados que devemos lutar, e resistir a qualquer tentativa política de negá-los ou de fragilizá-los.