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Waldecy Fernandes Pinto: Minha casa, Minha vida - As falhas do programa"O programa teria que iniciar ofertando incentivos ou condições aos empreendedores de se adaptarem à maior produtividade de unidades habitacionais"

Data: 
quarta-feira, 6 Julho 2016 - 10h30
Português, Brasil
FONTE: DIÁROI DE PERNAMBUCO

Por Waldecy Fernandes Pinto

Todos os governos, principalmente das nações emergentes, se escudam em programas com um grande apoio da mídia, mais de sustentação política do que de divulgação, no intuito de obter mais popularidade junto aos eleitores. Neste contexto, por sua vez, os tipos de eleitores aceitam como se fora dádivas caídas do céu. A obrigação do gestor eleito é o de governar sem a utilização do lema dar para depois receber. No entanto o dar para receber vem ocorrendo, já se tornando uma regra normativa, desde a implantação da chamada democracia e também dos regimes ditatoriais. 
O gestor público tem por obrigação realizar o seu programa de governo, visando exclusivamente o bem estar da população, demonstrando a racionalidade no uso dos recursos, provenientes dos altos custos dos impostos, que pagamos. Esse governo ao assumir, procurou realmente seguir o prometido no período da campanha política, desprezando muita das vezes, os programas em andamento deixados por gestões, não coligadas com o partido dominante, principalmente aqueles das oposições. O atual governo, no que tange ao combate do déficit habitacional, adotou o programa intitulado MINHA CASA MINHA VIDA, que por sinal é muito parecido com os demais programas do antigo BNH.As dificuldades são as mesmas apresentadas pelas outras tentativas passadas. 
Assim começam as falhas, pela concepção da arquitetura e os demais projetos de engenharia. As deficiências permanecem ou sejam o principal de arquitetura que vem associado ao sistema tradicional construtivo da alvenaria, tijolo sobre tijolo, não inovando nada ,quando muito ,a novidade do uso das paredes divisórias em gesso (dry wall) ou de um tijolo com menores espessuras que produzem uma largura de parede com cerca de oito centímetros. Quanto à distribuição das componentes da unidade habitacional, sala, quartos e serviços a diminuição se deu tomando por base o custo total da unidade em função do valor do metro quadrado, não atingindo no máximo de mil reais. 
Cabe ao construtor juntamente com o arquiteto, buscar uma solução construtiva em serie passando por um processo de pré-fabricação, aproveitando os recursos do apoio dos equipamentos de elevação das peças independentes do peso. A racionalidade terá que se aliar a produtividade por serie. Quanto às instalações principalmente as de esgotos os projetos não poderão utilizar como sistema, a manutenção dos sanitários superiores dependentes do pavimento inferior. Nestas habitações para fins sociais, o relacionamento entre vizinhos, torna-se mais difíceis em função do nível sócio-educativo.Portanto outra solução tem que se aperfeiçoar e também evitando uma manutenção irracional ao sistema. 
A verticalização com elevadores torna-se também difíceis em função da alta taxa de condomínio para a manutenção dos mesmos e também dos imóveis. Quanto aos terrenos, passam a sofrer com a lei da oferta e da procura, porque as áreas próximas do centro ou dotadas de infraestrutura se tornam mais procuradas e os seus valores são cada vez mais elevados. Quanto aos mais acessíveis, em termos de custo, estes se localizam bem distantes, na periferia desprovida da mínima infraestrutura. Neste tipo habitacional o valor do terreno não poderá ultrapassar de 5% do custo final da unidade habitacional. Para poder vencer estes questionamentos, o uso será o da adoção da verticalidade, ou seja, aumentar o número das unidades habitacionais, ganhando no  edifício maior altura.Esta dificuldade da altura se complica pela adoção dos elevadores.
Em resumo, o programa, antes da euforia do lançamento, teria que iniciar, ofertando incentivos ou condições aos empreendedores de se adaptarem à melhoria de uma adoção de industrialização mais competitiva de maior produtividade de unidades habitacionais. Todo o processo, seria normatizado com racionalidade, para o proveito de diminuir o tempo, de execução dos imóveis, para dar vencimento, com mais rapidez, ao grande “déficit” habitacional, permitindo a edificação de moradias mais confortáveis e de melhor padrão de conforto por metro quadrado. Esse tipo atual de habitação com sala, dois quartos sanitário cozinha e serviço com quarenta e cinco metros quadrados, áreas estas muitas das vezes iguais ou menor do que uma sala de estar de um apartamento para uma família de nível médio,além de não ofertar conforto, cria um sistema de uso inadequado a uma família de nível sócio - educativo normal para um país possuidor de metas contra a pobreza