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Naufrágios originam criação de parque

18 de setembro de 2008

Ao se dar conta da quantidade de embarcações naufragadas na costa pernambucana, a primeira atitude de muitos seria apenas agendar um mergulho para conhecer um dos 25 navios. Porém, um grupo de alunos da UFRPE foi mais longe e decidiu criar o projeto Parque dos Naufrágios Artificiais de Pernambuco (PNAPE), em parceria com o grupo Wilson Sons e a operadora de mergulho Aquáticos.

A equipe realizou o naufrágio proposital de três embarcações em 2006 para acompanhar como seria a ocupação do ecossistema. O trio Mercurius, Saveiros e Taurus foi afundado com a ajuda de um rebocador em frente ao Porto do Recife. Durante dois anos, os alunos realizavam dois mergulhos mensais para verificar a colonização dos peixes, que já estão em mais de 90 espécies diferentes. O Mercurius é o menor navio e o único que não pôde receber visitas de turistas. Segundo a bióloga e integrante do PNAPE, Patrícia Barros, a decisão foi imposta para que fosse analisada a diferença da influência dos visitantes na formação de um ecossistema.

De acordo com o diretor do Departamento de Pesca e Aqüicultura da UFRPE, Fábio Hazin, o resultado do estudo provou que não houve impacto da atividade turística no trabalho. “A iniciativa foi positiva porque além de incentivarmos a prática do mergulho, que movimenta a economia do Estado, contribuímos para o desenvolvimento de um ecossistema”, disse. Segundo ele, um quarto rebocador deverá afundado em breve.

A maioria dos naufrágios de Pernambuco são localizados no Recife, Olinda, Cabo de Santo Agostinho, Ponta de Pedra e Serrambi. Segundo o diretor de operações da Aquáticos, Gabriel Katter, os mais visitados atualmente são o Pirapama, Lupus, Servemar I, Servemar X, Reboque, Saveiros e Taurus. Uma dais mais antigas embarcações visitadas é a Vapor Bahia que, de acordo com Katter, naufragou após um choque com outro navio. “O Vapor Bahia e o Pirapama se chocaram em 1887, mas o Pirapama não afundou e voltou para o Porto do Recife. Mas, como não tinha mais conserto, decidiram naufragá-lo também”, contou.

FONTE

Folha de Pernambuco

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