Equação estima cura de câncer de próstata

20 de junho de 2010

O modelo matemático, desenvolvido por americanos e brasileiros, inclusive da UFRPE, avalia as diferentes variantes de material obtido na retirada da próstata doente, podendo auxiliar os médicos

 

Pesquisadores brasileiros e dos Estados Unidos criaram um modelo estatístico que permite estimar a probabilidade de cura de pacientes com câncer. A equação foi desenvolvida, inicialmente, para os acometidos de câncer de próstata. “Mas poderá ser adaptado às outras formas da doença, como melanoma e câncer de mama”, adianta um dos autores do estudo, Gauss Cordeiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

A equação determina a chance de cura do paciente que teve câncer de próstata e sofreu a cirurgia para retirada do tumor, chamada prostatectomia. “Para outras formas de cânceres teremos que construir - com base na nossa metodologia - uma equação análoga”, adianta.

Os pesquisadores utilizam a base de dados do Department of Quantitative Health Sciences, Case Western Reserve University, onde trabalha Michel Kattana, o integrante americano do trio de cientistas. Além dele e Gauss, integra a equipe Edwin Ortega, do Departamento de Ciências Exatas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP).

A equação, chamada “modelo binomial negativo beta Weibull de regressão”, será publicada numa revista científica internacional. “É para estimar a probabilidade de cura do câncer de próstata em pacientes submetidos à cirurgia de retirada da glândula (prostatectomia radical), em função de variáveis disponíveis na biópsia da glândula”, reforça Gauss.

O estatístico informa que Michael Kattan é um dos maiores especialistas em cálculo de recorrência de câncer dos EUA. “Ele tem vários gráficos publicados na literatura médica para predizer a incidência e a recorrência dessa patologia.”

Num paciente com PSA, sigla em inglês para antígeno prostático específico, equivalente a cinco, por exemplo, as chances de cura com base na equação de regressão são estimadas em 89%. “Isso se a biópsia revelou o câncer sem extensão extracapsular, sem invasão nas vesículas seminais e sem envolvimento dos nódulos linfáticos e das margens cirúrgicas”, explica Gauss.

“Por outro lado, outro paciente com o mesmo PSA, mas com vestígios de câncer nas outras variáveis explicativas, a chance de cura cai, substancialmente, para 5,21%”, revela.

O câncer de próstata representa a segunda causa de morte por câncer, nos EUA e no Brasil. “Nos EUA, as projeções para 2010 são em torno de 195 mil novos casos e no Brasil, cerca de 53.500”, informa Gauss Cordeiro.

No Brasil, o tumor de próstata maligno é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma), segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum de neoplasia no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nas nações desenvolvidas em comparação aos países em desenvolvimento.

INCIDÊNCIA

Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos, pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação e pelo aumento na expectativa de vida.

Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. A estimativa de novos casos, segundo o Inca, é de 52.350 para este ano. Em 2008, o número de mortes foi 11.955.


FONTE: JORNAL DO COMMERCIO > CIÊNCIA & MEIO AMBIENTE

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