O modelo matemático,
desenvolvido por americanos e brasileiros, inclusive da UFRPE, avalia as
diferentes variantes de material obtido na retirada da próstata doente, podendo
auxiliar os médicos
Pesquisadores
brasileiros e dos Estados Unidos criaram um modelo estatístico que permite
estimar a probabilidade de cura de pacientes com câncer. A equação foi
desenvolvida, inicialmente, para os acometidos de câncer de próstata. “Mas
poderá ser adaptado às outras formas da doença, como melanoma e câncer de
mama”, adianta um dos autores do estudo, Gauss Cordeiro, da Universidade
Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
A
equação determina a chance de cura do paciente que teve câncer de próstata e
sofreu a cirurgia para retirada do tumor, chamada prostatectomia. “Para outras
formas de cânceres teremos que construir - com base na nossa metodologia - uma
equação análoga”, adianta.
Os
pesquisadores utilizam a base de dados do Department of Quantitative Health
Sciences, Case Western Reserve University, onde trabalha Michel Kattana, o
integrante americano do trio de cientistas. Além dele e Gauss, integra a equipe
Edwin Ortega, do Departamento de Ciências Exatas da Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz (Esalq-USP).
A
equação, chamada “modelo binomial negativo beta Weibull de regressão”, será
publicada numa revista científica internacional. “É para estimar a
probabilidade de cura do câncer de próstata em pacientes submetidos à cirurgia
de retirada da glândula (prostatectomia radical), em função de variáveis
disponíveis na biópsia da glândula”, reforça Gauss.
O
estatístico informa que Michael Kattan é um dos maiores especialistas em
cálculo de recorrência de câncer dos EUA. “Ele tem vários gráficos publicados
na literatura médica para predizer a incidência e a recorrência dessa
patologia.”
Num
paciente com PSA, sigla em inglês para antígeno prostático específico,
equivalente a cinco, por exemplo, as chances de cura com base na equação de
regressão são estimadas em 89%. “Isso se a biópsia revelou o câncer sem
extensão extracapsular, sem invasão nas vesículas seminais e sem envolvimento
dos nódulos linfáticos e das margens cirúrgicas”, explica Gauss.
“Por
outro lado, outro paciente com o mesmo PSA, mas com vestígios de câncer nas
outras variáveis explicativas, a chance de cura cai, substancialmente, para
5,21%”, revela.
O
câncer de próstata representa a segunda causa de morte por câncer, nos EUA e no
Brasil. “Nos EUA, as projeções para 2010 são em torno de 195 mil novos casos e
no Brasil, cerca de 53.500”, informa Gauss Cordeiro.
No
Brasil, o tumor de próstata maligno é o segundo mais comum entre os homens
(atrás apenas do câncer de pele não-melanoma), segundo o Instituto Nacional de
Câncer (Inca). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum de neoplasia no
mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de
cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nas nações
desenvolvidas em comparação aos países em desenvolvimento.
INCIDÊNCIA
Mais
do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que
cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O
aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente
justificado pela evolução dos métodos diagnósticos, pela melhoria na qualidade
dos sistemas de informação e pelo aumento na expectativa de vida.
Alguns
desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos
e podendo levar à morte. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta
(leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³) que não chega a dar sinais durante a
vida e nem a ameaçar a saúde do homem. A estimativa de novos casos, segundo o
Inca, é de 52.350 para este ano. Em 2008, o número de mortes foi 11.955.
FONTE: JORNAL DO COMMERCIO > CIÊNCIA & MEIO AMBIENTE