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Ministério da Educação

Pesquisa do DeHist UFRPE demonstra presença de indígenas do séc XIX na Mata Sul

Publicado em 24/04/2026 | Última atualização em 24/04/2026.

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A presença indígena na atual Zona da Mata Sul de Pernambuco vem sendo documentada desde o século XVI, mas as narrativas históricas de maior alcance afirmaram o desaparecimento desses povos no século XIX.

Pesquisa desenvolvida no Departamento de História da UFRPE, em parceria com o Memorial da JustiçaTJPE/CGPM, tem o objetivo de demonstrar o contrário, ou seja, que os indígenas de dois aldeamentos da região (Riacho do Mato e Escada) permaneceram nos territórios. Inclusive, já foi possível identificar que desses aldeamentos surgiram dois municípios atuais: Maraial e Escada.

No entanto, ambos aldeamentos passaram pelo processo de extinção realizado pela província de Pernambuco, apoiada na legislação da época e na vaga ideia de que os indígenas estariam “confundidos na massa da população”. No caso do Riacho do Mato o processo teve um agravante, pois em seu território foi criada a Colônia Agrícola Socorro para receber os migrantes da seca de 1877. Entre 1878 e 1880, cerca de nove mil pessoas, conhecidas como “retirantes”, chegaram a circular naquela região.

Apesar dos movimentos de apagamento da existência dos indígenas, muitos continuaramvivendo na região como agricultores e reivindicando as terras frente ao governo provincial e ao avanço violento dos senhores de engenhos vizinhos.

O projeto está na primeira fase de execução, que consiste na identificação e na digitalização de processos criminais e cíveis criados nas comarcas de Palmares, Escada e Água Preta, entre as décadas de 1850 e 1910, constantes no acervo do Memorial da Justiça.

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De acordo com a profa Mariana Dantas, coordenadora do projeto, “nossa intenção é promover a escrita de uma nova narrativa sobre as histórias locais da Zona da Mata pernambucana, ressaltando a ativa participação de povos indígenas, compreendidos como subalternizados na história, mas com enorme potencial de resistência, visível nos acervos de arquivos pernambucanos.”

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O projeto conta com o trabalho de dois bolsistas, estudantes da Licenciatura em História da UFRPE, Henry Carvalho e Maria Clara Souza, e comfinanciamento da Facepe por meio do edital APQ-Pró-Humanidades (APQ-1829-7.05/25).

Referência da imagem00002.tif: Ação de manutenção de posse requerida por Francisco Cavalcanti da propriedade Sertãozinho, no Riacho do Mato, contra os indígenas Manoel Francisco e sua esposa. 21/10/1871. BR PEMJ TRPE PMR PCV MP 1871.10.21. Cx 2690, TI 7, processo 40 (1871).

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