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Ministérios debatem sobre vírus bovino

Data: 
quarta-feira, 6 Julho 2016 - 10h15
Português, Brasil

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto de Pesquisa Joaquim Amorim Neto (Ipesq) encontraram traços de um vírus bovino no tecido cerebral de pelo menos três bebês com microcefalia. A descoberta, feita a partir de uma vasta varredura nas amostras necropsiadas, tomou dimensão federal.

O Ministério da Saúde (MS) passou a acompanhar os estudos e enviou uma equipe para Campina Grande, na Paraíba, na última quarta-feira (29), já que os órgãos envolvidos não têm estrutura suficiente para concluir a pesquisa. Os ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento debatem ainda nesta semana quais medidas devem ser tomadas caso seja confirmado que o vírus esteja ligado ao recente surto da malformação no Brasil. Os estudos devem ter conclusão divulgada ainda nesta semana.

Dois estudos dos anos 1980 já mostraram contaminação do vírus da diarreia viral bovina (VDVB) em humanos, inclusive em mães de microcéfalos. O primeiro analisou 129 delas e encontrou anticorpos em duas. O outro verrificou que pessoas que tinham contato com o gado tinham anticorpos para a doença.

O patógeno, em animais, muitas vezes é assintomático, agindo principalmente no feto das vacas infectadas. “O sistema nervoso e os olhos são atacdos pelo vírus bovino. Quando ataca o cerebelo, o bezerro não consegue se equilibrar e acaba morrendo. Também são corriqueiros problemas como a microftalmia, ou seja, quando os globos oculares são pequenos”, explicou o professor de medicina veterinária da UFRPE, Roberto Soares Castro.

Ambos os órgãos também são influenciados pela ação do zika. “O VDVB ataca um órgão e interfere em seu desenvolvimento. A quantidade de vírus e a época da gestação em que age também são importantes para saber se o bezerro nascerá saudável, terá comprometimentos na saúde ou morrerá, forçando um aborto.”