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Projeto "Desvendando o Céu Austral" faz da astronomia um caminho para a inclusão

quarta-feira, 20 Setembro 2017 - 14h40

A lua, as estrelas, os planetas e demais corpos celestes têm atraído o olhar humano ao longo de milênios. Não só os pesquisadores e astrônomos, mas também artistas, poetas e enamorados sempre encontraram no céu noturno um motivo de inspiração e encantamento. Abraçando o compromisso em popularizar a ciência e tendo a astronomia como ponto de partida para a inclusão, a equipe do projeto de extensão “Desvendando o Céu Austral” levou à cidade de Monteiro, no cariri paraibano, uma série de atividades que envolveram estudantes, educadores, pesquisadores e demais interessados. As ações foram realizadas durante a 3ª Semana da Popularização da Ciência no Semiárido, evento organizador pela UFRPE em parceria com o Observatório nacional, o Instituto Nacional do Semiárido (INSA), o Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e o Espaço Ciência.

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Professor Antonio Miranda (à esquerda), durante oficina de construção de foguetes educativos.

“Já basta de a universidade ficar fechada em si. Pesquisadores ficarem em frente a um computador, dentro de um gabinete, receberem bons salários e a sociedade nem sabe o que é que eles fazem. No caso específico do semiárido, a população é esquecida, é desassistida. Popularizar é dar a oportunidade de as pessoas conhecerem a ciência e apresentar o que o Brasil tem de ciência. É um compromisso político no final das contas”, ressaltou o professor Antônio Carlos Miranda, astrofísico, docente da UFRPE e coordenador da Semana de Popularização da Ciência do Semiárido.

Em Monteiro, o projeto Desvendando o Céu Austral realizou diversas oficinas, palestras e uma visita técnica ao Observatório Astronômico de Itaparica, localizado em Itacuruba, Pernambuco (ver detalhes abaixo). De acordo com Miranda, o projeto envolve cursos astronômicos, que são realizados no Recife, além de atividades de turismo astronômico e as ações educativas de sensibilização e popularização da ciência.

De acordo com o professor Antonio Miranda, o Desvendando o Céu Austral mantém cursos abertos de astronomia, com uma edição na UFRPE e outra na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), além de ações ligadas ao turismo astronômico no Recife, em parceria com o Espaço Ciência, e da própria Semana de Popularização da Ciência do Semiárido, que realiza em parceria com instituições diversas.

“Vivemos em escolas públicas, nas cidades do interior, realizando oficinas, palestras, diversas atividades. A meninada adora”, enfatiza o professor.

OFICINAS

Durante a 3ª de Participação de Popularização da Ciência no Semiárido, os participantes puderam realizar a observação de manchas solares e reeditar o feito de Galileu Galilei, que em 1611 iniciou suas observações ao astro por meio de lunetas. “Pela observação solar diurna os estudantes puderam visualizar as manchas solares, frutos de explosões na superfície do sol que acarretam mudanças de temperatura no material solar. O que vemos como pequenas manchinhas são na verdade de duas ou três vezes do tamanho do nosso planeta”, destacou Samyr Pessoa da Silva, aluno da Licenciatura em Química da UFRPE, membro do Desvendando o Céu Austral.

Samyr chamou a atenção para o grande interesse que a ciência desperta nos estudantes. “Há um interesse muito grande pela Astronomia. A gente nem precisa divulgar tanto as nossas ações: os próprios alunos saem por aí fazendo a nossa propaganda, chamando outros estudantes para fazerem as observações do sol e participarem das oficinas”, enfatizou.


Oficina sobre as constelações da bandeira do Brasil

Ministrada pelos Ana Paula Bruno e Abdias Silva, a oficina “Desvendando as Constelações da Bandeira do Brasil” apresentou toda a ciência que há por trás desse símbolo nacional. Além das medidas oficiais, da legislação que rege a confecção e os cuidados para a sua exposição, os participantes conheceram as estrelas e constelações inseridas na bandeira quando ela foi criada, em 1889, e os estados brasileiros que cada uma representam. “São constelações que estão no céu austral, ou seja, no céu do hemisfério sul. Por isso o nome do nosso projeto”, explicou Abdias Silva.

A construção e lançamento de foguetes foi uma oportunidade de trabalhar diversos conteúdos e temas atrelados à astronomia. Física, matemática, geografia, entre outras disciplinas, são trabalhadas no processo de construção dos minifoguetes pelos próprios alunos. Durante a oficina, os estudantes inscritos confeccionaram dois tipos de foguetes: um com garrafas PET, cuja propulsão é feita por meio de ar comprimido e água; e outro pré-fabricado, impulsionados à pólvora.

“Nossa ideia é mostrar a astronomia e como ela funciona. Uma das partes é o lançamento de foguetes. É bem gratificante ver a curiosidade dos alunos, já que esse tipo de ação não faz parte da rotina deles. Eles ficam muito empolgados em ver o lançamento e perceber como é fácil e simples fazer essa produção”, apontou JP, estudante de Geografia, monitor da equipe do Desvendando o Céu Austral.

OBSERVATÓRIO NO SERTÃO


Observatório Astronômico da Bacia de Itaparica, em Itacuruba-PE

Como parte das ações do projeto Desvendando o Céu Austral, os participantes da Semana de Popularização da Ciência no Semiárido realizaram uma caravana científica, rumo ao Observatório Astronômico do Sertão do Itaparica, localizado no município pernambucano de Itacuruba.

O Observatório de Itacuruba é vinculado aos Observatório Nacional, com sede no Rio de Janeiro. Os pesquisadores escolheram o local porque o semiárido nordestino agrega as melhores condições para a observação do céu noturno por meio de telescópios.

“Nós temos um observatório que foi instalado pelo Projeto Impacton do Observatório Nacional. O objetivo é estudar as características físicas asteroides e cometas, particularmente aqueles com órbita”, afirmou Teresinha Rodrigues, pesquisadora do Observatório Nacional.

As pesquisas realizadas pelo Observatório Nacional ajudam a conhecer melhor os corpos celestes localizados no sistema solar, especialmente os que podem oferecer algum risco de colisão com o planeta Terra.

“Não é importante saber apenas se um objeto vai colidir com a terra, mas é importante também conhecer a estrutura física interna desses corpos. A depender de sua estrutura é que podemos calcular os possíveis impactos que esse asteroide pode causar no caso de uma colisão”, informou a pesquisadora Daniella Lazzaro, do Observatório Nacional.

A visita ao Observatório em Itacuruba despertou a curiosidade dos estudantes participantes da 3ª Semana de Popularização da Ciência no Semiárido.


Estudantes do IFPB visitam Observatório no sertão pernambucano.

“Como eu sou da zona rural, gosto muito de sair à noite e ficar olhando as estrelas. Como não tem muita luminosidade no sítio, dá pra olhar bem as estrelas. A partir de hoje passo a gostar ainda mais. Quem sabe um dia não venho aqui realizar um mestrado, um doutorado, algum estudo”, disse José Gabriel da Silva, aluno do IFPB.

"Sempre tive uma fascinação desde criança, olhava para o céu à noite e achava muito bonito. Nunca tinha pensado em me aprofundar na área. Agora já começo a pensar em estudar alguma coisa nessa área", destacou Mateus Leal Félix, do IFPB.

Além da caravana vinda da cidade de Monteiro, na Paraíba, o Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica recebeu a visita de pessoas dos municípios vizinhos durante a Semana de Popularização da Ciência do Semiárido.


Madaísa (com livro) e sua família visitaram o Observatório em Itacuruba.

Madaíza Beltrão, funcionária pública de Serra Talhada, viu num jornal do município sobre a programação da 3ª Semana de Popularização da Ciência no Observatório da Bacia de Itaparica. Amante da astronomia e praticante da observação noturna como um hobby, ela foi com a família à Itacuruba para dialogar diretamente com as pesquisadoras do Observatório Nacional, que estão entre as principais autoridades brasileiras nessa área do conhecimento.

"Desde pequenininha sou apaixonada pelo céu. Devido a esse amor estou aprendendo cada vez mais. Os pesquisadores são excelentes, conhecia um pouco do trabalho deles por meio dos jornais", ressaltou. "Fico feliz com a receptividade com que tiveram comigo, passando um pouco do conhecimento que têm de uma forma tão acessível, extrovertida e bem à vontade", disse.